Na manhã desta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, a Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou uma grande operação no município de Blumenau visando apurar um suposto esquema de desvio de dinheiro público e “rachadinha” no âmbito da Câmara Municipal.
A ação, conduzida pela Delegacia de Investigações Criminais (DIC) em conjunto com a Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Lavagem de Capitais (DECRIM), cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete do vereador Almir Vieira (PP) e em outros endereços ligados ao parlamentar, além de residências de assessores e um empresário próximo ao grupo político investigado.
Embora o foco principal da investigação seja um suposto esquema de “rachadinha” — que consiste na exigência de repasse de parte dos salários de assessores ao parlamentar — a Polícia Civil também apura indícios de peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de capitais.
A operação não se limitou apenas à Câmara: ao todo, foram expedidos 20 mandados de busca e apreensão cumpridos em Blumenau, Videira, Balneário Camboriú e Itapema.
Durante a ofensiva policial, foram apreendidos computadores, celulares, documentos, contratos e outros materiais que passarão por perícia para subsidiar as investigações.
Também foram apreendidos três veículos do vereador e outras cerca de 30 mil reais em espécie, que estão sendo contabilizadas como parte da análise dos fatos.
Embora a grande cobertura jornalística tenha citado diligências e apreensões, segun do informações foi encontrada uma arma de fogo no gabinete de Almir Vieira — supostamente propriedade de um assessor. A operação encontrou munições em poder de um dos investigados, que resultaram em prisão em flagrante pelo porte irregular de arma de fogo e a liberado após pagamento de fiança.
Durante parte da operação, Almir Vieira foi conduzido pela polícia e chegou a prestar esclarecimentos às autoridades durante toda a tarde da quinta-feira.
A assessoria do vereador divulgou nota oficial afirmando que o mandado de busca e apreensão foi cumprido por determinação judicial e que o parlamentar está à disposição das autoridades, confiando no trabalho da Justiça para esclarecimento dos fatos.
“Na manhã de hoje foi cumprido um mandado de busca e apreensão no gabinete… Estou à disposição das autoridades e confio plenamente no trabalho da Justiça”, declarou o vereador em seu comunicado oficial.
Ele afirmou ainda que seguirá exercendo seu mandato normalmente e que divulgará mais informações com transparência assim que tiver acesso a dados oficiais.
Quanto aos assessores ligados ao gabinete de Vieira, a operação visitou as residências de alguns deles, além da casa de um empresário indicado como colaborador em possíveis contratos, mas o teor das apreensões em cada local ainda está sendo especificado pelas autoridades.
A investigação tenta identificar, entre outras coisas, se funcionários comissionados indicados por Vieira repassavam parte de seus salários ou vantagens indevidas ao vereador ou ao grupo político, prática que, embora não tenha um tipo penal específico no Código Penal, pode ser enquadrada em crimes como peculato ou corrupção.
Em nota, a Câmara de Vereadores de Blumenau se posicionou sobre a operação esclarecendo que policiais civis estiveram na Casa Legislativa para o cumprimento de mandados, que a ação ocorreu em dois gabinetes parlamentares, e que não há, até o momento, confirmação de apreensão de materiais ou documentos pela instituição.
O Presidente da Casa Legislativa, Vereador Ito de Souza em entrevista a Folha HatsNews ressaltou ainda que a investigação apura condutas individuais de vereadores ou assessores, e que não se trata de apuração direcionada à instituição Câmara de Vereadores, que segue funcionando normalmente.
O Presidência da Câmara reafirmou o compromisso com transparência, legalidade e colaboração com as autoridades competentes, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos dentro dos limites legais.
Esse episódio marcou um dos momentos mais delicados da história recente do Legislativo municipal de Blumenau, trazendo à tona debates sobre ética pública, fiscalização interna e transparência na gestão dos recursos destinados a gabinetes parlamentares.
Por Claudir Benini
Jornalista/editor




