C. BENINI: O senhor foi candidato ao governo do estado uma vez, à prefeitura duas vezes; hoje fora da política, por que decidiu colocar o seu nome à disposição do partido NOVO?

TRAMONTIN: Eu quero explicar para as pessoas que eu nunca fui da política, nunca imaginei um dia disputar um cargo. Fui promotor de justiça por 35 anos e aposentei em 2023. E, por acaso, em 2020 o Partido Novo me convidou, lançando um desafio que, para a maioria dos meus amigos, parecia algo inatingível: a gente sem estrutura, partido pequeno, eu sem qualquer tipo de experiência política. E nós fizemos uma eleição muito, muito, muito boa e faltou aproximadamente 1% para nós irmos para o segundo turno, disputando com ex-prefeitos, deputados, só gente grande, e o único pequeno ali, sem expressão eleitoral, era eu. E aí o Partido Novo me convocou. Isso foi em 2020. Em 2022, como você disse, para ser candidato ao governo do Estado. A gente sabia que seria uma eleição muito difícil, polarizada, como todo mundo percebeu. Mas havia o propósito de levar o Partido Novo para Santa Catarina e mostrar as ideias do partido. Nós fomos bem-sucedidos. Aqui em Blumenau, por exemplo, eu ultrapassei vários candidatos consolidados, como o Esperidião Amin e tantos outros, e isso fez com que eu ficasse como um natural candidato a prefeito, que agora, em 2024, eu já disputei, na terceira edição, a prefeitura. E por detalhes, mais uma vez, a gente não conseguiu ir para o segundo turno. Desta vez vou fazer uma dobradinha com o nosso único deputado federal do Novo em Santa Catarina, que é o Gilson Marques, que tem sua base eleitoral em Pomerode, mas é daqui da nossa região. E, com a sandália da humildade, como eu sempre digo, vou me apresentar para disputar uma eleição que é difícil, porque não é muito disputada, mas eu estou muito otimista.
C. BENINI: Santa Catarina se consolida como a 6ª maior economia do país e existem vários gargalos políticos, logísticos principalmente. A sua ideia, a sua opinião: qual é o principal problema de Santa Catarina hoje?
TRAMONTIN: Um grande gargalo que nos faz pequenos é a questão da infraestrutura. Ela é vergonhosa, é constrangedora, e por isso eu pretendo ser uma voz muito altiva nesse sentido, porque não faz sentido. A gente tem que fazer um planejamento para fazer 150 quilômetros que é ir de Blumenau para a capital do estado. Inclusive, para ir para Balneário Camboriú hoje se precisa planejar, porque para fazer 70 km a velocidade média de um caminhão em Santa Catarina é de 28 km/h. Isso nos aproxima muito dos fundadores dessa região, que faziam isso a cavalo. Uma boa junta de cavalos puxando uma carroça faz essa quilometragem. Em Piçarras, Itapema, Bombinhas é um absurdo. Então, se pudesse dizer algo, eu coloco como prioridade das prioridades a luta pela infraestrutura, especialmente do nosso Vale, que é uma das regiões mais ricas, e nós precisamos gritar alto com o governo federal, com autoridades federais; mas o governo estadual também tem a sua parcela de responsabilidade como indutor, como propulsor para fazer ecoar essas demandas que são do nosso médio vale.
C. BENINI: Vamos falar mais sobre transportes. Os portos de Itajaí, Navegantes e Itapoá. O senhor concorda com o atual rito, modelo de gestão, em especial do Porto de Itajaí?
TRAMONTIN: Eu sou suspeito para falar, mas é só olhar os números, né? É só olhar os números de Navegantes, do porto de Itapoá, tempo. O modelo parou no tempo. A gente vive ainda, infelizmente, com as interferências políticas e isso comprovadamente deixa a desejar. O mundo inteiro tem um modelo avançado de concessão, de exploração pela iniciativa privada. O Brasil, por exemplo, tem uma costa impressionantemente grande e rios importantíssimos, principalmente lá do rio Paraná, lá para cima. Fui há pouco tempo fazer uma visita no porto de Itapoá; fiquei impressionado. Hoje em dia, uma das receitas do porto é o armazenamento, e lá o porto não ganha dinheiro para armazenamento porque tudo funciona; é aquele ciclo virtuoso. Até a Receita Federal, que às vezes as pessoas reclamam, entrou na linha de produção, e tudo funciona. Então o porto de Itapoá é um exemplo de eficiência; o porto de Navegantes também. E aí a resposta é por quê? Porque tem gestão privada.
C. BENINI: O senhor, como promotor de justiça e como candidato que foi em outras eleições, se pudesse apontar um grave erro dos governos anteriores?
TRAMONTIN: Eu, se pudesse apontar, não diria um erro assim; cada governante tem o seu perfil. Eu acho o governador Moisés foi muito pequeno do meu ponto de vista, porque o que a gente espera do governador? A gente espera — e era isso que eu via quando eu participava do debate — que aquele líder tem de ser aquele que enxerga a floresta e não as árvores. E a gente vê hoje, e esse talvez seja um pequeno defeito do governador Jorginho, que ele se apega muito à humildade. E o governador Moisés mais ainda. O governador Moisés, por exemplo, lá no seu final de governo, ao invés de fazer obras de infraestrutura, poderia ter feito uma Via Mar dessa, por exemplo, que transformaria Santa Catarina. Em vez disso, ele inventou um plano mil que era uma distribuição para fazer ‘puxadinhos’, fazer coisinhas pequenas, que são importantes, mas são coisas que se fazem no cotidiano numa estrutura de estado. Então eu acho que o principal erro do governador Moisés foi não enxergar longe, na minha opinião. Já o governador Jorginho está fazendo um bom governo, eu reconheço isso. Gosto muito dele, tenho uma relação pessoal muito próxima com ele. Inclusive fui convidado, numa ocasião, para fazer parte do governo dele e fiquei muito honrado. Mas, por exemplo, esse projeto que ele vai lançar agora, nos próximos meses — pelo que a gente está acompanhando — deveria ter sido o primeiro ato de governo. Por quê? Porque a gente espera sucatear para depois começar. E aí vai demorar né? A 477 faz quase 15 anos para fazer 40 quilômetros. Você imagina quantos anos vai demorar para nós ligarmos Joinville a Grande Florianópolis? Quantos anos demorou o contorno de Florianópolis? Muitos anos. Demorou mais de dez anos. Então eu acho que demorou a sair do papel. Não estou fazendo uma crítica; é só uma constatação.
por
Claudir Benini
Jornalista Reg.Prof. MTBDRT – 15972/RS








