Glaucoma é uma doença grave e degenerativa que afeta o nervo óptico,Dra Elise Taniguchi Müller

O glaucoma é uma doença grave e degenerativa que afeta o nervo óptico, estrutura responsável pela condução da visão. De acordo com estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença afeta hoje cerca de 80 milhões de pessoas no mundo todo, sendo que 11 milhões já estão cegos dos dois olhos e 20 milhões já estão cegos de um olho. Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença são o aumento da pressão intraocular, a idade avançada e o histórico de glaucoma na família.

O aumento da pressão intraocular pode ocorrer de forma primária, associada à genética e à anatomia ocular do paciente, ou de forma secundária, associada à outras condições, como por exemplo traumas, cirurgias oculares, uso de medicações, trombose retiniana, entre outros. O glaucoma pode ser classificado em agudo ou crônico, de ângulo aberto ou de ângulo fechado e de pressão alta ou de pressão normal. Além disso, formas específicas da doença podem ocorrer, como o glaucoma congênito ou infantil.

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O glaucoma merece atenção e conscientização da população pois, diferentemente de outras doenças, pode não apresentar sintomas até chegar em estágios muito avançados, nos quais já existe perda visual severa e irreversível. O diagnostico do glaucoma é feito através de um exame oftalmológico minucioso, envolvendo a obtenção do maior número possível de informações sobre o paciente. Além disso, são necessários exames diagnósticos para a classificação e para o estadiamento da doença. Cada paciente deve ser avaliado de forma individual para que o diagnostico seja preciso e um tratamento eficiente e tolerável seja implementado.

O objetivo do tratamento é a diminuição da pressão intraocular, em níveis que variam de acordo com a severidade e o tipo do glaucoma. Alguns casos exigem laser ou cirurgia em caráter de urgência, principalmente os casos agudos, enquanto outros podem ser manejados com colírios hipotensores. Recentemente, técnicas cirúrgicas menos invasivas conhecidas como MIGS (Microinvasive Glaucoma Surgery) têm feito parte do arsenal de estratégias para o controle da doença. Dessa forma, em casos iniciais ou moderados é possível realizar um procedimento microinvasivo para o tratamento do glaucoma, de forma isolada ou quando o paciente vai ser submetido a cirurgia de catarata.

O glaucoma é considerado a maior causa de perda visual irreversível a nível global, mas o diagnóstico não é uma sentença de cegueira. Diagnóstico precoce, tratamento preciso e acompanhamento especializado reduzem a chance de perda visual.

Dra Elise Taniguchi Müller

CRM 18576/RQE 10363

Oftalmologista, especializada no tratamento à laser e cirúrgico do glaucoma

Currículo: Fellowship em Glaucoma pela Unicamp, Post Doctoral Research pelo Mass Eye and Ear, Doutorado pela Unifesp