‘Infidelização’ partidária, resultado de regalias e alta falta de ética – por Claudir Benini

A fidelização partidária de deputados federais e estaduais no Brasil é um tema sensível e polêmico, especialmente quando se considera o papel dos partidos políticos na democracia representativa. Em tese, os deputados são eleitos com base em suas coligações partidárias e deveriam atuar alinhados aos princípios e diretrizes de seus partidos.

No entanto, o que se observa na prática é uma frequente infidelidade partidária, marcada por trocas constantes de legenda em busca de vantagens pessoais, maior tempo de mídia, fundo eleitoral ou espaço de poder. Esse comportamento evidencia uma fragilidade ideológica e a predominância de interesses particulares sobre os coletivos.
Essa infidelidade se agrava quando colocada em contraste com os altos salários e benefícios recebidos pelos parlamentares. Um deputado federal, por exemplo, recebe atualmente mais de R$ 39 mil mensais, além de auxílios, verba de gabinete, passagens aéreas e outras regalias. Já deputados estaduais, embora com salários variáveis conforme o estado, também contam com vencimentos muito superiores à média da população brasileira.
Essa disparidade reforça a percepção de uma classe política distante da realidade do cidadão comum, muitas vezes atuando em benefício próprio e não do eleitor que os elegeu. A falta de ética e moral na política brasileira não é novidade, mas permanece como uma das maiores causas da descrença popular nas instituições. Escândalos recorrentes de corrupção, favorecimento ilícito, uso indevido de verbas públicas e articulações obscuras minam a confiança no sistema democrático. Muitos parlamentares agem motivados por interesses econômicos ou corporativos, e não pelo bem público, o que torna o cenário político ainda mais desalentador. Infelizmente, grande parte da atuação parlamentar é marcada por conchavos, trocas de favores, barganhas políticas e ausência de compromisso com a população. A ética, muitas vezes, é deixada de lado, e a moral se torna relativa diante de estratégias de poder. A fidelidade aos princípios democráticos é substituída pela lealdade a projetos pessoais e à perpetuação no cargo.
O Brasil precisa urgentemente de uma reforma política que promova maior transparência, ética e responsabilidade. A política deve ser um instrumento de transformação social, não um meio de enriquecimento ou proteção de interesses escusos. Enquanto a fidelidade partidária for negociável, os salários parlamentares desproporcionais e a ética ignorada, a crise de representatividade continuará a corroer a democracia.