Você conhece os principais problemas do carro elétrico ?

O lado conservador do homem sempre reage diante de novidades. Ele dá mesmo essa impressão ao rodar quietinho e sem fumaça no trânsito urbano. Mas e o se CO2 emitido para produzir as baterias e o próprio carro, que é enorme. Elétricos ainda custam muito caro e custam de 30 a 40% mais que o carro convencional. Hoje, no Brasil, os compactos elétricos tiveram seus preços reduzidos para cerca de R$ 100 mil a R$ 150 mil. Mas SUVs e sedãs médios começam para lá de R$ 250.000.

Segundo aspecto: ter apenas o elétrico em casa. Tem que ser o segundo ou terceiro na garagem, pois no caso de uma viagem é quase certo um perrengue na estrada, mesmo que o motorista tenha programados pontos na estrada. Isso porque ele chega no primeiro posto com tomada, pode ter uma fila esperando e cada carro fica pelo menos uns 30 minutos, ou mais. O seu mapa indica que o motorista tem um outro eletro posto a 30 ou 40 quilômetros a frente. Vamos lá, Chegou lá. Bingo! Ninguém na fila porque a tomada está quebrada.

Terceiro aspecto: depois de Elon Musk passaram a pipocar várias fábricas de elétricos pelo mundo, os chineses se destacaram com a melhor tecnologia no assunto. Mas até no Brasil já apareceram dois empresários um brasileiro e outro argentino, carregados de boas intenções para fabricar os elétricos, mas descarregados de capital e tecnologia. Nem a Tesla, com todo seu potencial financeiro, escapou de dezenas de problemas operacionais. Aliás, a Hertz, maior locadora do mundo, colocou no mês passado de uma vez 20 mil de seus elétricos à venda, assumindo um gigantesco prejuízo financeiro.

Carro elétrico não é investimento é gasto.
Quarto aspecto:Aliás, automóvel não é investimento financeiro e perde valor no momento em que deixa o show room, quando perde aí 10 a 20% do valor. Essa regrinha não se aplica ao elétrico, que pode perder até 30 a 40% do valor inicial ou mais. Se for necessário uma nova bateria, ela pode custar o mesmo que o próprio carro. Nos principais mercados de usados do primeiro mundo elétrico se acumulam nos pátios por falta de interessados. Quinto aspecto: é o probleminha de como recarregá-los? Complicadíssimo para quem mora em prédio de apartamento. Sexto aspecto: a velha história da autonomia, do alcance. A quilometragem de rodagem é o maior problema desde que o elétrico foi inventado, no século 19, antes mesmo do motor a combustão. Nenhum problema no trânsito urbano, onde se roda poucos quilômetros por dia. Mas na rodovia é que o bicho pega, pois o valor declarado pelo fabricante é um conto da carochinha. E, acredite se quiser, a autonomia chega a se reduzir a metade. Se tiver o ar condicionado ligado, se o pé do motorista for “pesado” e se a topografia (com muita subida), além da queda normal de capacidade da bateria, comprometem o alcance. Para piorar, em regiões de temperaturas muito elevadas ou muito baixas, a autonomia também é penalizada. Aí a situação é caótica.

E a manutenção? A garantia da bateria pode chegar a oito anos, mas o elétrico tem suspensão, direção, freio, refrigeração e transmissão que podem se quebrar. Moral da história, o carro elétrico tem seu lado positivo, mas muitos problemas que complicam a vida do motorista, como em qualquer transição no mundo. Mas se você estiver mesmo interessado em um carro a bateria só se for só se for para rodar no transito urbano. Além disso é perrengue na certa.

Boris Feldman Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.